Archive for Fevereiro, 2008



Folgado Fernando,

chove desalmadamente este domingo em Lisboa desde manhã, num dos Invernos mais secos das últimas décadas, dizem os meteorologistas. Mesmo com tanta água, ouvimos ainda o ex-primeiro-ministro Santana Lopes dizer na televisão que foi feito um bom negócio para o Estado ao permitir que o Casino de Lisboa fique para empresa que o ergueu quando acabar a concessão, ao contrário do que estava estabelecido na lei, em vez de reverter para o Estado. Mais um inquérito judicial foi arquivado. Neste caso, ocorreu na Casa do Gaiato de Penafiel. Não houve crime ou as autoridades não souberam reunir as provas? Fica a dúvida.Uma miúda de 11 anos acaba de morrer, um ou dois dias depois de ser atropelada numa passadeira, supostamente o sítio mais seguro para um peão que precisa atravessar uma estrada a seguir à passagem aérea. O túnel do Rossio foi reaberto ontem. Tal como no Túnel do Marquês, o povo acorreu em massa. Conclusão: as escadas rolantes não aguentaram tanto peso e bloquearam. Com três anos de atraso e um custo de 60 milhões de euros, incluindo 9,5 milhões de derrapagem em relação à previsão inicial, os comboios voltam a chegar até ao coração de Lisboa. O primeiro-ministro fez questão de seguir na primeira viagem.

Caro amigo

É impressionante como, às vezes, as pequenas coisas, os pormenores, são tão importantes. São elas, eles, que  podem fazer parar a economia de um país, provocar uma catástrofe. É quase como a teoria do caos. Não digo que o bater de asas de uma borboleta no Brasil provoque um tornado no Texas. Mas digo-te que o bater de uma porta em Cabo Verde pode parar as ilhas.

Analista Fernando,

já te falei várias vezes de Timor-Leste, mas nunca numa perspectiva política, dos seus dirigentes. Lá como cá gosto mais de avaliar as consequências das decisões dos políticos do que anunciá-las. Só que recentemente, como bem sabes, iam matando o presidente timorense, José Ramos-Horta. E isso abalou-me mais do que possas imaginar. Não porque tenha estado muito ligado à realidade daquele território transformado no mais jovem país do mundo, embora tenha lá passado um dos meses mais ricos da minha vida, mas porque um foragido das forças armadas de um país com uma Constituição democrática supostamente tentou matar o chefe de Estado, que é apenas e só uma das duas personalidades de países de língua portuguesa distinguidas com o Prémio Nobel da Paz, o galardão político com mais peso à face da Terra..

Só eu sei…

Caro amigo

Há uma semana que os termómetros marcam 22 graus de dia e 21 de noite. A luz faltou ontem até à uma da manhã e jantei duas vezes, uma delas à luz das velas. A câmara anda a dizer que vai prender os cães todos que andam pela rua e os transportes públicos aumentaram durante um dia.

Desarmado Fernando,

costuma-se usar em sentido figurativo, mas desta venho trazer-te a verdadeira história de um tiro no pé. Não foi nenhum político que deixou fugir as palavras que não queria, afirmando verdades que não podia. Não. Foi mesmo um homem que deu um tiro no próprio pé. Dirás que é uma história marginal, apenas insólita, sem consequências dignas do conhecimento público, mas é tão raro suceder que se tornou notícia em quase todos os jornais daqui.

Caro amigo

Por aqui a vida política segue muito mais calma do que aí, e que no Brasil por certo também. Que se saiba não há falcatruas nem grandes sinais de corrupção. Aproximam-se as autárquicas e as câmaras descobriram que afinal até têm dinheiro e andam a distribui-lo magnanimamente, naturalmente. E fazem obras, também. De resto corre sereno Cabo Verde. Ah! O Presidente é que poderá ter sido eleito com votos falsos. Corre sereno Cabo Verde.

Fernando, adoptado por um povo irmão,

histórias insólitas acontecem em todos os países, mais ou menos irmãos, muito ou pouco afastados. Mas não passam de peripécias, difíceis de imaginar, mas pouco mais que inconsequentes. O pior é quando um povo irmão se vê abraços com escândalos que começam onde devia estar garantida a transparência, o carácter e a seriedade de quem foi eleito. Como já deves ter deduzido, falo-te do Brasil e do seu presidente, a braços com mais um “escandalão” daqueles, depois do “mensalão”, agora é o fartar vilanagem do cartão… Rima e parece mesmo que é verdade. Mas gostava de aproveitar a embalagem e conhecer os gastos dos nossos governantes e respectivos gabinetes com os cartões de crédito. Por cá, nem temos direito a saber onde gastam o dinheiro público com estas modernas formas de pagar…

Povo irmão

Caro amigo

Um advogado detido dentro do próprio tribunal, por injúria a um agente da autoridade, que responde com um processo-crime contra quem o mandou prender e contra uma juíza, que por sua vez quer meter um processo por difamação ao homem. Confusões. São cá mas podiam perfeitamente ser lá.

Foto JNRecordado Fernando,

esta semana foram apresentados os números de abortos feitos aqui em Portugal legalmente desde que a lei deixou de penalizar as mulheres e veio-me logo à memória o “hit”, ou “sound byte”, que mais marcou a campanha do referendo pelo lado dos que defendiam o “não” e foi proferido por um “distinto” professor universitário da nossa praça: se for “liberalizada” a interrupção da gravidez a pedido da mulher, o acto vai-se vulgarizar como os telemóveis.

A preto e branco

Caro amigo

Parece-me a mim que é óbvio, que não precisa de estar escrito em sítio nenhum, que há pessoas boas e más, inteligentes e burras, alegres e sorumbáticas, avarentas e mãos largas, pacíficas e conflituosas, no mundo inteiro. Tenho a sorte de já ter conhecido gente fantástica de muitas religiões, de muitos tons de pele. Indonésios, jordanos, haitianos, malaios, timorenses, argentinos, chilenos e peruanos, australianos, quenianos, marroquinos, sul-coreanos, guineenses, moçambicanos, tailandeses, chineses, sul-africanos, costa-riquenhos, angolanos, russos e, naturalmente, cabo-verdianos. Não me fixei no tom da cor das suas peles mas tenho-os no meu coração.




PARCEIROS