Archive for Janeiro, 2008



Tradicional Fernando,

fins-de-semana como este que passou, com frio e sol por aqui, recordam-me aqueles dias em que costumamos juntar uma mão cheia de amigos e amigas e passar um dia diferente, na serra, no campo, a fazer algo que, pelo menos nós, assistimos desde que nascemos, a saborear gostos que as leis não conseguem imaginar, mas apenas evitar. Longos dias de prazer, portanto.

Em nome do pai

Caro amigo

Amílcar Cabral foi importante para Cabo Verde? O homem que esteve na fundação do PAIGC e do MPLA, movimentos de libertação da Guiné, de Cabo Verde e de Angola, merece um lugar na história do arquipélago? Esse homem foi assassinado faz hoje 35 anos. Como tinha ameaçado, volto a falar dele. Pela mão de quem sabe.

Desperto Fernando,

há grandes homens movidos por sonhos e há outros que parecem funcionar à base de pesadelos. Como contraponto a esse figura histórica de Amílcar Cabral, ocorreu-me que temos aqui um que, além de incomparável, a não ser na altura, quer mostrar ter um sonho, mas tudo não passam de tormentas que lhe apoquentam a cabeça e que ele não sabe afastar, nem ao menos para dormir um sono tranquilo. Haverá muitas pessoas a viver esse drama, mas esta preocupa-me particularmente, porque é o líder do maior partido da oposição, o PSD, e chama-se Luís Filipe Menezes. E a oposição num regime democrático é fundamental…

Caro amigo

Hoje apetecia-me ficar por aqui. Escrever caro amigo e… sei lá… ir deitar-me no sofá a ver televisão ou mesmo ir para a cama porque é tarde quando me sento a esta secretária que tem vista para o mar mas só às vezes, porque de noite nunca lhe pus a vista em cima. Mas pronto, aqui estou a mandar-te mais este correio palerma, sem nada para te dizer. Ou queres que te fale de Amílcar Cabral?

Petroeuros

Financeiro Fernando,

aí, como aqui, é o petróleo que faz andar as gentes. É o maldito crude que faz mover a economia do mundo inteiro. E é esse bem indispensável que aumenta quase por dá cá aquele barril. Especulação pura e dura no mais importante bem da economia mundial? Pois, parece que sim…E sobre isso ninguém fala. Sabes quem paga, não é? Todos nós, uns directa, outros indirectamente…

Caro amigo

Sabes quando as coisas nos correm tão mal tão mal que a gente pensa que bateu no fundo, que nada pior pode acontecer, e depois ainda vem mais uma arrelia qualquer? Do tipo deixares-te dormir, entornares o café com leite na roupa que levarias para o trabalho, dares um salto porque te queimaste e derrubares tudo o que estava encima da mesa, ires a correr trocar de calças, tropeçares, bateres com a cabeça na parede e fazer um galo, e depois quando finalmente vais sair o carro não trabalha? E sabes o que podem fazer umas larvas numas flores? Sabes? Sabes?

Almerindo Marque: Foto IOLAuto-mobilizado Fernando,

hoje decidi fazer uma compilação de ordenados “interessantes” para sonharmos e apresentar alguns exemplos de como é fácil receber uma fortuna no final do mês. Sempre ficam umas dicas para quando for possível negociar a actualização salarial. Leva sempre na mente dois, mas argumenta principalmente com um: Almerindo Marques. Nunca esqueças que esse gestor é pago só com dinheiro dos contribuintes por presidir à Estradas de Portugal,SA,  - embora esteja prevista a entrada de privados na empresa daqui por uns anos - e leva todos os meses 18 mil euros para casa, fora prémios, que são mais 30 por cento. No fim do ano, números redondos, 300 mil euros. Parece-te razoável?

Caro amigo

Depois de um domingo ocioso, em que pouco mais fiz do que preparar algumas coisas para a próxima semana e dar uma leitura atrasada por jornais, chamou-me a atenção a queixa de uma família cabo-verdiana, na ilha do Sal, que conta que há um restaurante que se recusa a atender cidadãos nacionais por causa, já se vê, dos turistas. Onde é que eu já vi isto?

Estudioso Fernando,
não sei se foi a galinha ou o ovo a nascer primeiro, mas a questão da violência escolar que tanto preocupa a nossa sociedade por aqui, além de não ser nova, tem, na minha perspectiva, uma causa que foi transformada num tabu: a falta de autoridade de alguns professores somada à ausência completa de vocação pedagógica de outros tantos. A equação tem ainda a variável alheamento absoluto dos pais em relação à educação dos filhos.
Garanto-te que a situação agora não é muito mais grave do que na nossa altura, pelo menos a avaliar pela minha experiência enquanto aluno. Só que agora há mais gente a dedicar-se ao problema.

Caro amigo

Conheço Paula Fortes “de voz”. Falei com ela algumas vezes ao telefone tanto mais que era enfermeira e anestesista aqui em Santiago mas está agora destacada no Sal. É dela a história que hoje te vou contar, que escreveu com toda a indignação no jornal A Semana. Sem mais comentários, lê que vale a pena.




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