Archive for Dezembro, 2007
Abatido Fernando,
encontro nas tuas últimas cartas uma ponta de saudade que tem vindo a emergir a cada dia. Da terra, daqueles que te fazem muita falta, como costumas dizer, o que considero perfeitamente natural. Quero atenuar-te esse amargo de bom português e vir hoje falar-te de um grande homem, que, espero, vai fazer diminuir a enormidade deste mar todo que separa os dois países. Chama-se Rafael Correia e tem, reconhecida e publicamente, o melhor programa de rádio da actualidade e (há vários anos) aqui em Portugal.
É Natal, porrada para todos
1 comentário Publicado por Fernando Peixeiro 15 Dezembro 2007 em Cabo Verde.Caro amigo,
venho hoje falar-te desta grande democracia que é Cabo Verde. Temos muito que aprender, em Portugal e noutros países da Europa, com este pequeno país. Aqui, como aí, como em todo o mundo, há assaltos. Mas não vi em mais nenhum país do mundo tamanha igualdade: tanto é assaltado um pacato cidadão como um polícia, um juiz ou um deputado. Não é triste, pois não?
Versão dolorosa do Tratado
0 comentários Publicado por António Martins Neves 14 Dezembro 2007 em Portugal.Saudável Fernando,
Brrrrr, brrrrrr, brrrrr. Não, não estou a tremer por causa das agruras porque passou o Infante D. Henrique aí em Cabo Verde. É mesmo gripe, que chegou sem se fazer anunciar no dia em que foi assinado o Tratado de Lisboa. Irá também ficar para a história, esta malvada.
Caro amigo
A 12 dias do Natal, e embora seja pouco dado à festa, tenho de admitir que estou possuído pelo espírito. É o Natal pá!! A comunhão, a família, a paz, o amor, as prendas, a alegria, o bacalhau, o peru, as rabanadas à lareira… À lareira? Bem aí talvez… Mas não interessa, decidi que até Janeiro não te falo mais de coisas tristes. Por isso hoje decidi falar-te do Infante D. Henrique. Não é triste pois não?
Protegido Fernando,
tiros aqui, tiros aí…o mundo é um local muito violento e estes dois países onde cada um de nós vive também teimam em deixar de ser os sítios pacatos porque eram conhecidos. Quem tem morrido não são cidadãos comuns, a avaliar pelas notícias, citando as polícias. Nem aí nem aqui. E quem mata, obviamente, também não. Nestes casos, as polícias dizem que estão a fazer o seu trabalho e que ele vai aparecer. Onde não sei se isso acontecerá é na situação que te trago ao conhecimento hoje.
Caro amigo
Anda bravo isso aí pelo norte, onde se leva uns tiros como se muda de camisa. Nada como uma coisa assim para a malta instalar umas câmaras nas ruas. Quando a coisa chegar a Lisboa e quando eu aí estiver a ver se não me esqueço de andar bem penteadinho (como se fosse possível), para não ficar mal no filme. Aqui deviam instalar umas mas era na cadeia. Queres saber porquê? Então abre lá o resto do texto.
Atlântico expresso no telemóvel
0 comentários Publicado por António Martins Neves 10 Dezembro 2007 em Portugal.Tecnológico Fernando,
para atenuar essas esperas dolorosas, como quase todas, venho anunciar-te que já podes ler a nossa correspondência no telemóvel. Da próxima vez, quando aguardares quem nunca aparece vais às opções do telefone, e no acesso à Internet escreves simplesmente http://atlantico-expresso.net, e lá tens a minha, e a tua, última carta, tal como a correspondência anterior. Mais simples não há. O progresso tem evoluído muito. Por aqui me fico hoje, com esta bela novidade.
Um abraço celular.
António Martins Neves
Caro amigo
Sai um gajo do trabalho, pouco antes do meio da tarde, para passar duas horas sentado, dentro do carro, a olhar para a casa onde morou. Não sai do carro, não fala com ninguém, não usa o telefone, não lê, nada! Fica só ali, a olhar para a casa, para os lados de vez em quando, a ver pelo espelho retrovisor o trânsito e as pessoas à porta do hotel. Duas horas depois pura e simplesmente vai embora. São saudades? Estará louco? Não está. Só acredita.
“Real Journalism” na RTP?
2 comentários Publicado por António Martins Neves 8 Dezembro 2007 em Portugal.
Inspirado Fernando,
deliciado fiquei com a forma como conseguiste transpôr para aí o que te faz sentir feliz aqui. Eu não consigo escrever-te uma carta a essa altura, com essa nobreza de espírito, desperta com tamanhas sensações. Venho mais uma vez alarmar-te, falar de preocupações, coisas que correm mal e que gostaria que melhorassem. E de novo a cimeira entre África e a União Europeia, mas desta vez vista pela televisão pública (RTP), suportada pelo dinheiro dos contribuintes. Fiquei com a ideia que é um espelho do regime, em vez de ser o espelho do país. Tu avaliarás. Talvez esteja errado, mas lá que deixa grandes dúvidas, lá isso deixa…
Caro amigo
Se fosse possível transportares-te para aqui, de um momento para o outro, dirias que está uma noite de Inverno, uma borrasca de fazer inveja à época dos furacões dos Estados Unidos (tinham de ter uma) ou às monções asiáticas. Mas nada disso. É apenas um adereço da minha casa nova, para mim, na verdade, um belo atractivo.


