Archive for Outubro, 2007
Caro amigo
Parece-me impossível que ainda hoje pessoas desenvolvam teorias sobre como é que nós nascemos! Estalar de dedos? Alguém que lhes diga, que lhes faça um desenho. Expliquem-lhes que dá um bocadinho mais de trabalho ou então prendam essa gente! Fazem-me lembrar a história daquela miúda de quatro anos que pergunta aos pais como é que nasceu.
Humanidade surgiu de um estalar de dedos?
0 comentários Publicado por António Martins Neves 28 Outubro 2007 em Portugal.
Evolucionista Fernando,
Uma entidade divina chegou aqui há terra, há 6.000 anos, estalou os dedos e aparecemos nós, os humanos. É o que dizem os fundamentalistas cristãos americanos que querem ensinar esta tese aos filhos na escola. Só que escondem que esse deus, depois, foi-se embora e nunca mais quis saber disto para nada, pelo que se observa. Aconteceu pior do que um jardineiro que planta uma flor e nunca mais quer saber dela. O mais certo é morrer, mas também pode sobreviver pelos seus meios e tornar-se bravia e indomável.
Já te tenho dito, noutras cartas, que me preocupa o caminho por onde está a ser conduzido o pensamento humano – e o destino que traça.
Belga e…coitado…caloteiro
1 comentário Publicado por Fernando Peixeiro 27 Outubro 2007 em Cabo Verde.Caro amigo
Tens toda a razão no que dizes mas permite-me que discorde mais uma vez de ti. Os portugueses serão algo alarves mas não nos vejo como os maiores corruptos do mundo. Bons e maus há-os em todo o lado. Não foram os gregos que até utilizaram campos de futebol para montar tendas para acções de formação, tudo a pensar sacar dinheiro à Europa? Aqui nas ilhas fala-se de um grande caloteiro, que enganou toda a gente, e que é belga.
Europeu, esfomeado, de BM, falido e casa no Algarve
0 comentários Publicado por António Martins Neves 26 Outubro 2007 em Portugal.
Honesto Fernando,
esse retrato do estatuto especial de Cabo Verde em relação à União Europeia faz-me muito lembrar o que aconteceu em Portugal depois da adesão à então CEE, em 1986. Dinheiro para cá, que aqui no bolso é que ele me faz falta. O resto foram (e são) conversas. Aqui de homem para homem, tu sabes bem que esta coisa da União Europeia (UE), para a maioria das pessoas, foi assim uma espécie de telha donde caía dinheiro.
Passar a cepa ou ficar como ela
0 comentários Publicado por Fernando Peixeiro 25 Outubro 2007 em Cabo Verde.
Caro amigo
Poderia falar-te das mulheres que apanham dos maridos aqui em Cabo Verde mas prefiro chamar-te a atenção para um assunto que sem dúvida vai dar muito que falar aqui, até porque vai mudar o país: a aproximação à União Europeia, anunciada ontem em Lisboa e que aqui, por estranho que pareça, ninguém ligou “pevide”?.
Esmurra-me, meu amigo!
0 comentários Publicado por António Martins Neves 24 Outubro 2007 em Portugal.Baralhado Fernando,
se um destes dias te chegar aí que o reitor do santuário de Fátima apareceu de olhos negros e face esmurrada, não digas que não te avisei. O homem pôs-se a jeito e, levadas a peito, as suas palavras não o deixam a salvo de lavar uns sopapos dos…amigos. Passo a explicar-te: monsenhor Luciano Guerra deu uma entrevistas a uma revista que acompanha o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias aos sábados onde se manifesta tolerante com um homem que bata na mulher de três em três anos. Todas as semanas é que não. Diz que um intervalo assim espaçado não é motivo para divórcio, muito menos se o homem “amar” a mulher. “Duvidas que eu te amo?, então toma lá um soquete ó minha ingrata”, parece-me já ouvir de gente que o prelado deve conhecer.
Caro amigo
Já te falei aqui um dia das acácias e dos seus frutos, os belos saquinhos de plástico que têm a particularidade de vingar todo o ano. Por estes dias, aqui pelas ilhas, fala-se muito de um em especial. Azul de sua cor mas filho enjeitado, não das acácias mas do governo. Continuo burro. Para mim a coisa é mais cinzenta do que azul!
Um país de coincidências
0 comentários Publicado por António Martins Neves 22 Outubro 2007 em Portugal.
Desalentado Fernando,
eu vivo no país das coincidências, onde quase tudo acontece por acaso e quase ninguém tem verdadeiramente responsabilidade por nada. Um bocado como aí, mas se calhar com mais coincidências, coisas que acontecem por acaso, mas que mentes deformadas acham que é porque as pessoas são más, governam-se em vez de governarem, usam os dinheiros públicos com se fossem seus…tudo indignidades que deviam envergonhar quem as atira pela boca ou apenas pensa tamanhas barbaridades.
Primeiro exemplo: há por aí um regimento de más línguas que vê promiscuidade no facto de Joaquim Ferreira do Amaral ter ido recentemente para presidente da empresa com quem assinou um contrato de exclusividade quando era ministro das Obras Públicas, há mais de dez anos.
Confissões de uma mente obtusa
0 comentários Publicado por Fernando Peixeiro 21 Outubro 2007 em Cabo Verde.Caro amigo
Li com alguma preocupação a carta que me enviaste e fiquei a pensar que, se calhar, o Portugal que eu conhecia já não vai existir quando regressar. Mas depois, andei por aqui a dar voltas à cabeça, e confesso que fiquei ainda mais preocupado. Na verdade, caro amigo, eu nunca conheci Portugal, como não conheço Cabo Verde. A verdade verdadinha é que eu sou mesmo é burro.
Prezado Fernando,
se te quisesse assustar, diria que quando voltasses daí para Portugal só poderias aterrar no Algarve. Os teus familiares viveriam todos em Espanha sem sair de casa, Lisboa seria uma cidade castelhana. O único bocado que restaria do teu país seria mesmo a faixa a Sul da Serra do Caldeirão. Não, não foi um sonho meu, foi um mapa publicado por um dos jornais tido como dos mais credíveis do mundo que me levou a concluir tudo isto. Começaria por te recomendar que visses esses canais de televisão em português que passam aí em Cabo Verde e que te fazem adormecer como o mais eficaz dos sedativos. Mas são em português. Característica que o famosíssimo jornal inglês Financial Times mostrava há dias, com um mapa, corresponder apenas a um quinhão do país que deixaste antes de voar para esse arquipélago africano.
Segundo a bíblia inglesa do jornalismo económico, o que sobra de Portugal é o Algarve, e apenas com quatro “cidades”: Praia da Luz, Lagos, Albufeira e Faro.


