Archive for Setembro, 2007
Uma viagem por fazer - Nogueira Pinto aguardada no Tarrafal
0 comentários Publicado por António Martins Neves 20 Setembro 2007 em Portugal.
Atento Fernando,
a viagem que relataste do conhecido lutador e democrata Edmundo Pedro a esse campo de concentração chamado Tarrafal não pode ser, nunca, esquecida. Como o que lá sucedeu e porque aconteceu. Pena que não tenha ido na viagem uma mulher que veio agora mais uma vez a terreiro defender o Salazar, que construiu o Tarrafal em Cabo Verde, onde Edmundo Pedro conseguiu sobreviver dez anos donde parecia impossível sair vivo. Chama-se Maria José Nogueira Pinto e deu uma entrevista ao semanário Expresso onde defende o ditador com unhas e dentes.Conta com a mesma cara-de-pau que votou nele no famigerado concurso dos Grandes Portugueses, do mesmo modo que ajudou a eleger o actual presidente socialista da Câmara de Lisboa, António Costa.
Um dia para não esquecer - a primeira viagem
0 comentários Publicado por Fernando Peixeiro 19 Setembro 2007 em Cabo Verde.Caro amigo
Há momentos na vida que nunca esquecemos mas também temos dias assim. Na semana passada um homem de 89 anos meteu-se num avião em Lisboa e veio aterrar aqui, na Cidade da Praia, para ir ao Tarrafal, o campo de concentração onde passou 10 anos. Acompanhei-o nesse dia, o tal que nunca mais me vou esquecer.
Confuso Fernando,
quando te disse que era mais gravoso o tecto de uma escola cair em Portugal do que a falta de chuva em Cabo Verde referia-me, obviamente, à intervenção humana. Aqui caem rebocos de tectos de escola, cansados de ameaçar, por negligência dos decisores. Aí não chove porque… a natureza não quer, para abreviarmos a questão. Mal comparado, é como matar aí as tartarugas sem entender a importância que elas têm para a sobrevivência da raça humana, ou aqui os caçadores atirarem sobre tudo o que mexe como se qualquer animal fosse um inimigo a abater em vez de um preciosos auxiliar para continuarmos vivos.
O Desastre da Assistência
0 comentários Publicado por Fernando Peixeiro 17 Setembro 2007 em Cabo Verde.Caro amigo
Falaste-me, na tua última carta, de duas ou três coisas com as quais não concordo e vou explicar-te porquê. Desde logo quando me dizes que se os cabo-verdianos semeassem o milho e não chovesse várias anos seguidos deixariam de o fazer. Pois não o fariam. E se eu te dissesse que eles semeiam o milho, às vezes, três vezes no mesmo ano? E depois é pior caírem tectos do que não chover? Eu acho que pior que não chover é caírem muros!!
O carro à frente dos bois
0 comentários Publicado por António Martins Neves 16 Setembro 2007 em Portugal.
Ansioso Fernando,
espero que tenhas descido do alto das escarpas e saciado esse teu desejo de verde, de proximidade com a vegetação, a natureza, que compreendo facilmente, pois eu faria igualzinho. Mas neste domingo queria propor-te um exercício menos ambiental: imagina que os camponeses cabo-verdianos semeavam o milho e a chuva não caía. Um ano. E outro e mais outro. Deixariam de semear o milho, certo? Bom, depois ocorreriam outras desgraças, mas fiquemos por este ponto apenas. Agora transfere a mesma atitude para um sistema onde se oferecem computadores a alunos que frequentam escolas onde cai o tecto das salas. É bem pior que não chover.
Mortinhas, loucas da vida, cheias de pica
1 comentário Publicado por Fernando Peixeiro 15 Setembro 2007 em Cabo Verde.Caro amigo
Desde que estou em Cabo Verde e sempre que subo a serra da Malagueta costumo parar lá no cimo. Foi assim na primeira vez, com o Ricardo, a Isabel e o Pascoal, quando me andavam a mostrar a ilha de Santiago, e depois das outras, quando era eu que andava a fazer de cicerone. Ontem, para não variar, parei lá. A ilha está irreconhecível.
Pacífico Fernando,
foi o pior murro do ano e isso tu tens que saber. O seleccionador nacional de futebol aviou um soco na cara de um jogador sérvio no final do jogo entre as duas selecções na quarta-feira. Está a tenda armada, como usa dizer-se. Quase 50 mil testemunhas presenciais no Estádio de Alvalade, em Lisboa, fora os milhões, que me atrevo a dizer, seguiam o desfecho daquele jogo infeliz passo a passo pela televisão, até aí em Cabo Verde, seguramente.
E a penúltima criatura, entre a multidão, a poder agredir alguém disparou um directo na cara de um adversário. E não foi só o homem de Belgrado, foi a pátria lusa toda que tremeu.
Um abalo sísmico passava mais despercebido, se não tivesse feito umas rachadelasnos Jerónimos. Uma murraça inqualificável de um homem supostamente experiente que perdeu a cabeça quando não o podia, nem pode, fazer.
Venha cá para conversarmos um bocadinho
2 comentários Publicado por Fernando Peixeiro 13 Setembro 2007 em Cabo Verde.Caro amigo
Devias ver. O homem senta-se numa pedra centenária, ao sol, e fica baixinho, quase junto ao chão. É a calma em pessoa. Aceita que lhe ajeitem o microfone por dentro da camisa da Marlbloro Classics, castanha, e nunca tira o boné, redondo. Vai fumando um cigarro, sempre, e só o apaga quando a luz de “rec” da câmara se acende.
Matar o hospedeiro que dá casa e pão
0 comentários Publicado por António Martins Neves 12 Setembro 2007 em Portugal.
Previdente Fernando,
tu a recordares sempre, e bem, o drama que foi o Tarrafal aí em Cabo Verde para as vítimas do regime ditatorial que imperou em Portugal até 1974 e, numa quase coincidência, lá no outro extremo do Mediterrâneo, em Israel, ressurge esse pesadelo a que a humanidade não consegue pôr fim: o das pessoas que perseguem outras pela religião, etnia, cor, cultura ou pela simples razão de pensarem de modo diferente, com respeito pelos outros.
E o sofrimento ainda anda por lá
0 comentários Publicado por Fernando Peixeiro 11 Setembro 2007 em Cabo Verde.Caro amigo
Escrevo-te no dia em que a ministra da Cultura de Portugal, Isabel Pires de Lima, inicia uma visita de três dias aqui a Cabo Verde. Além de ir à Cidade Velha, a primeira cidade das ilhas, a ministra vai visitar o Campo de Concentração do Tarrafal, o nome de um local que ainda hoje estremece o coração de muitos e que agora está praticamente abandonado. Há memórias, que mesmo más, deviam preservar-se.


