Archive for Agosto, 2007



Estiraçado Fernando,

Por esta altura já te imagino a sentires-te completamente de férias. Relaxado, sem pensar no trabalho, a que eu regressei por dias. Tanto assim que te acho com disposição para conheceres uma história magnífica que me caiu na caixa do correio, sem autor, anónima, que se baseia num relato pessoal de uma prostituta angolana a residir em Lisboa. Desconheço a veracidade, sei apenas que é uma narrativa magnífica, daquelas que ouvimos a quem sabe muito da vida e quase nada de letras e alfabetos e que neste caso tem como protagonista uma mulher que se diz ser “prisiricolga” em Portugal, porque leva os clientes para o quarto da pensão e eles pagam-lhe para falar em vez de quererem os seus serviços sexuais.

Caro amigo

Pois devo dizer-te, a propósito do caruncho e dos “nossos” deputados que pouco fazem, que já vi por Cabo Verde muito boa gente especialista em não fazer nada. A única diferença é que ganham muito menos. Mas isto de ser mandrião parece ser consanguíneo. Do outro lado do mundo há mais uma ilha assim.

Repousado Fernando,

eu tinha quase a certeza, mas hoje veio no jornal: o caruncho prepara-se para, finalmente, tomar de assalto o Parlamento.  Isso mesmo, aqueles bicharocos que nunca se vêem, que só se ouvem e trabalham desalmadamente a devorar madeira, noite e dia. Mesmo estando tu a banhos, não podia deixar de te enviar este desabafo. É que fiquei mais preocupado, Fernando. A produtividade de todo oParlamento vai baixar mais se matarem os insectos, como está prometido.

Caro amigo

Cá estou de férias e as ilhas, ao que julgo, lá vão navegando calmamente no Atlântico. Aqui é de coisa que raramente se fala, como já deves ter reparado. E creio que ainda bem. Não se fala de Cabo Verde como também não se fala do Canadá, ou do Luxemburgo, ou da Noruega, ou da Islândia.

Folgado Fernando,

por estares fora da tua residência habitual num merecido descanso de férias, presumo que lerás esta carta mais tarde. De qualquer modo, este hábito instalado de trocarmos ideias e histórias que nos agitam a mente e nos enriquecem o espírito impulsiona-me para volta e meia estar à roda com as palavras para as arrumar em mais uma carta. Hoje confesso que o que mais me estimulou foi uma contradição: o esforço que está em marcha por parte de algumas pessoas de vários países para que a sesta passe a ter estatuto “legal”. E poderia lá haver assunto mais a propósito do que um pequeno sono após o almoço nestes dias de calor tórrido que têm colocado Portugal a suar em bica?




PARCEIROS