Archive for Julho 20th, 2007

Navegado Fernando,

imagino que tu por aí, como esse povo que é um bocadinho teu agora, ainda estejas à espera das trovoadas que trarão, não fartura, mas alguma água para alegria de todos e melhor sustento para muitos. E pensei nisso na pior altura: quando contemplava um rio. Daqueles a sério, sempre a mexer, silencioso mas vivo e raso de água, turvo mas rico e fértil.
A natureza nunca deixa de nos surpreender, como sabes. Basta parar um pouco o  olhar e quase sempre algo está a acontecer de enriquecedor à nossa frente sem que tenhamos qualquer intervenção. Os seres e os elementos, em que jamais reparamos quando andamos obcecados, se não mesmo angustiados, passam-nos ao lado. Ignorados, esquecidos, mas com tanto para nos mostrar.Pensava nisso de olhos pregados num rio pujante, uns cinquenta metros de água de largura, enrugado pelo vento mas silencioso.




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