Archive for Julho, 2007
Mil imagens e uma proposta
0 comentários Publicado por Fernando Peixeiro 31 Julho 2007 em Cabo Verde.Caro amigo
Em início de férias, imaginando as paisagens do sul de Portugal de que me falas, não quero partir sem te deixar também algumas imagens, faladas, de Cabo Verde. Olhares, gestos, sorrisos, cumprimentos… são também imagens. Que guardo deste meio ano das ilhas e que me fazem, agora, acreditar, que o próximo será também bonito.
Projecto de romance num meio-dia de Verão
0 comentários Publicado por António Martins Neves 30 Julho 2007 em Portugal.
Encalorado Fernando,
hoje apetecia-me enviar-te uma simples foto, com uma pequena legenda, para que não restassem dúvidas da importância daquela imagem, mas não tinha máquina comigo. Prefiro registar os momentos marcantes na memória própria, mas há alturas em que o registo perpetua um grande momento e ajuda-nos a tornar mais credíveis as nossas palavras. Foi isso que senti hoje, na quase plana terra alentejana.
Caro amigo,
sendo também eu um apreciador da sétima arte não posso deixar de te dizer com alguma tristeza que Cabo Verde não tem uma única sala, o que o torna, provavelmente no único país do mundo onde não há cinema.
Ambientalista Fernando,
o título da tua carta de ontem recordou-me o cinema que frequentei na infância e na adolescência, onde muitos filmes, que não via, nem podia, eram precisamente destinados a maiores de 18. Não seriam matanças de tartarugas, obviamente, mas uma das frases publicitárias do engenhoso gerente da sala era, lembro-me de ler, junto aos cartazes que anunciavam as fitas, “Não espere que lhe contem, venha ver com os seus próprios olhos”…
Caro amigo
Já te falei aqui das tartarugas marinhas que por esta altura chegam às praias de Cabo Verde para desovar. E também te disse que são espécies em vias de extinção, que demoram 20 anos a chegar à idade adulta, e que em Cabo Verde em vez de as protegerem preferem matá-las. Só não te disse como o fazem. É qualquer coisa para maiores de 18 anos, e mesmo assim não para todos.
A república da fotocópia
0 comentários Publicado por António Martins Neves 26 Julho 2007 em Portugal.
Revoltado Fernando,
não é só por aí que há motivos de irritação, seja causada pelo povo ou pelos decisores. Viajar contra carros que circulam em máximos por “desporto”, condutores que ignoram passadeiras…Bom isso são realidades pelas quais já todos passámos. Se calhar, a preocupação que te trago hoje também vai desaparecer aqui dentro de poucos anos, mas não estou nada optimista. Nasceu com as fotocopiadoras, aquelas máquinas que agora já fotografam a cores tudo o que lhes colocam em cima e tendem em não cair em desuso. Falo-te da praga, do vício, da autêntica instituição nacional, que é fotocopiar documentos de identificação e do mau indicador que isso é para funcionários públicos, bancários e profissões afins.
Caro amigo
Em 1999 viajei, pela primeira vez, para o continente asiático. Lembro-me que foi uma viagem dura, porque longa e classe económica. Mas lembro-me sobretudo da minha chegada a Singapura. Tinha saído de Paris numa sexta-feira à noite e cheguei a Singapura ao fim da tarde de sábado, 12 horas depois. Pois… dirás tu por aí agora. Mas que raio tem isto a ver com Cabo Verde? Vais ver que tem.
Reviver o passado na taberna de António do V.
0 comentários Publicado por António Martins Neves 24 Julho 2007 em Portugal.Nostálgico Fernando,
hoje quis reviver um bocado do passado e fui a um local onde não voltava há mais de dez anos. Queria contar-te como era a taberna de António do V., no Alentejo profundo, uma vista do tamanho da alma de quem olha, mas pouco resta do que foram tempos áureos.
Está lá um retrato, atrás do balcão ao qual raramente alguém se encosta nestes tempos. Vê-se António do V., para aí há uns 20 anos, de tesoura e pente em punho a cortar o cabelo a um cliente. É verdade e tu confirmarás que no Alentejo era assim.
Coisas sem importância que me irritam
0 comentários Publicado por Fernando Peixeiro 23 Julho 2007 em Cabo Verde.Caro amigo
Não conhecia essa “generala” de que me falas. Conheci-a agora, tardiamente, também porque aqui já é noite cerrada e acabei de chegar. Passei o dia na outra ponta de Santiago e estou cansado e com stress, a saborear já o banho que vou tomar. Mas não queria deixar de te falar de duas ou três coisas que me irritam aqui em Cabo Verde. A condução é uma delas.
A generala e o seu labirinto
0 comentários Publicado por António Martins Neves 22 Julho 2007 em Portugal.
Sereno Fernando,
nem tudo é mau na vida e até na desgraça conseguimos encontrar alento e aspectos positivos. Hoje venho falar-te de uma morte e do que ela me ensinou. A “generala” morreu e com ela um mito. Deixou-nos de herança uma certeza: depois de alguém ter vivido assim só posso concluir que nada há de errado no mundo. Apenas questões, atitudes, posturas menos correctas, irregulares. Erros não. E que na diferença quase tudo se aprende.
Recordo-te em passos rápidos quem foi Teresinha Paixão, 74 anos, encontrada morta há dias em casa, num quadro de miséria. Um homem no corpo de uma mulher. Que assumiu tanto a masculinidade que uma vez, depois de se ter mascarado pelo entrudo de tenente-coronel – repara no pormenor das patentes – gabaram-lhe tanto a pose e a postura marcial que foi encomendar uma farda de…general. Daí a alcunha no feminino. Destaco também a postura, a que não terá sido alheio o facto de ter sido condenada por burla. Podia ter obtado por ser sargento-ajudante, capitão, coronel…mas não. Pedir não custa e para quê ser santo se se pode ser a divindade máxima?


